A Fitoterapia na História do Brasil

 

 

O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espécies em sua flora e fauna. Possivelmente, a utilização das plantas - não só como alimento, mas também como fonte terapêutica começou desde que os primeiros habitantes chegaram ao Brasil, há cerca de 12 mil anos, dando origem aos paleoníndios amazônicos, dos quais derivaram as principais tribos indígenas do país. Pouco, no entanto, se conhece sobre esse período, além das pinturas rupestres.

As primeiras informações sobre os hábitos dos indígenas só vieram à luz com o início da colonização portuguesa. Com a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500, surgiu a primeira correspondência oficial ligada ao País a qual, escrita por Pero Vaz de Caminha narrando as características da terra recém-descoberta e enviada ao Rei de Portugal, D. Manuel, onde relatava com notório entusiasmo o descobrimento de uma nova terra.  Essa carta ficou conhecida como carta de Caminha, que é considerada a certidão de nascimento do Brasil, por ser o primeiro documento oficial sobre o País.

Um pouco mais tarde, entre 1560 a 1580, o padre José de Anchieta detalhou melhor as plantas comestíveis e medicinais do Brasil em suas cartas aos Superior Geral da Companhia de Jesus. descreveu em detalhes alimentos como o feijão, o trigo, a cevada, o milho, o grão-de-bico, a lentilha, o cará, o palmito e a mandioca, que era o principal alimento dos índios. Anchieta citou também verduras como a taioba-rosa, a mostarda, a alface, a couve, falou das furtas nativas como a banana, o marmelo, a uva, o citrus e o melão, e mostrou a importância que os índios davam às pinhas das araucárias.

Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma "erva boa", a hortelã-pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar nevralgias e para o reumatismo e as doenças nervosas. Exaltou também as qualidades do capim-rei, do ruibarbo do brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do bálsamo-da-copaíba, usado para curar feridas e da cabriúva-vermelha.

Outro fato que chamou atenção do missionário foi a utilização dos timbós pelos índios, especialmente da espécie Erytrina speciosa. O timbó, de acordo com o dicionário é uma "designação genérica para leguminosas e sapindáceas que induzem efeitos narcóticos nos peixes, e por isso são usadas para pescar. Maceradas, são lançadas na água, e logo os peixes começam a boiar, podendo facilmente ser apanhados com a mão. Deixados na água, os peixes se recuperam, podendo ser comidos sem inconveniente em outra ocasião".

Quase tudo que se sabe da flora brasileira foi descoberto por cientistas estrangeiros, especialmente os naturalistas, que realizaram grandes expedições científicas ao Brasil, desde os descobrimento pelos portugueses até o final do século XIX. Essas grandes expedições tinham o intuito de conhecer e explorar as riquezas naturais do país, conhecer a geologia e a geografia do Novo Mundo, bem como determinar longitudes e latitudes para a elaboração dos mapas.

 

Referência: Informativo Herbarium, no 29, 2004.